Vespas combatem pragas em florestas da Arauco
A Arauco já liberou mais de 6 milhões de microvespas em plantações de eucalipto de Mato Grosso do Sul para combater lagartas que atacam as árvores. A ação faz parte de um programa de controle biológico desenvolvido pela empresa para reduzir o uso de defensivos químicos e proteger a produção florestal. A primeira liberação ocorreu em março, na Fazenda Garça Real, em Inocência.
O projeto é desenvolvido em parceria com o Instituto Senai de Inovação em Biomassa, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). As microvespas são produzidas em Três Lagoas, onde o ciclo de desenvolvimento no laboratório dura entre 16 e 20 dias antes da liberação nos plantios.
Segundo a pesquisadora e coordenadora de Fitossanidade da Arauco, Mariane Aparecida Nickele, foram escolhidas duas espécies de parasitoides para combater as pragas: Trichospilus diatraeae e Tetrastichus howardi. "O ciclo de desenvolvimento dos parasitoides no laboratório dura de 16 a 20 dias e os adultos liberados em campo vivem em torno de oito dias", explicou.
As microvespas depositam seus ovos dentro dos casulos das lagartas, impedindo que elas completem o ciclo de vida. "Das pupas parasitadas irão emergir novas microvespas, em vez de mariposas, interrompendo a proliferação destas pragas. De uma única pupa hospedeira podem emergir, em média, 250 vespinhas parasitoides", afirmou Mariane.
As lagartas desfolhadoras podem reduzir em até 30% a produtividade do eucalipto. Na região de Inocência, as espécies mais comuns são a lagarta-parda-do-eucalipto (Thyrinteina arnobia) e a lagarta-medideira (Iridopsis planopla), que se alimentam das folhas das árvores antes de se transformarem em mariposas.
A Arauco tem capacidade para plantar entre 60 mil e 65 mil hectares de eucalipto por ano em Mato Grosso do Sul. A madeira abastecerá a megafábrica de celulose em construção em Inocência, o Projeto Sucuriú, que recebeu investimento de US$ 4,6 bilhões. A unidade deve iniciar as operações no fim de 2027, com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano e gerar cerca de 6 mil empregos permanentes.














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