Frigoríficos de Mato Grosso do Sul começaram a adotar férias coletivas e reduzir o ritmo de abate de bovinos após o avanço da cota de exportação de carne para a China. A medida ocorre depois que o mercado chinês informou que o Brasil já utilizou 80% do volume previsto para 2026.

As mudanças foram confirmadas pelo Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems). Segundo o presidente da entidade, Régis Comarella, a suspensão de novos embarques a partir de julho levou as empresas a reorganizarem a produção para minimizar os impactos econômicos.

Em Mato Grosso do Sul, entraram em férias coletivas as unidades da JBS, em Campo Grande, da Iguatemi Beef, em Iguatemi, e da Boibras, em São Gabriel do Oeste. Já o Frigo Sul, em Aparecida do Taboado, e o Naturafrig, em Rochedo, anunciaram redução no volume de abates.

Conforme Régis Comarella, "não tivemos demissões ainda, mas o mercado está bem complicado, com oferta de boi retraída, vendas fracas e preços que não acompanham o valor da arroba".

A China é o principal destino da carne bovina produzida em Mato Grosso do Sul e respondeu por 39% das exportações do setor no primeiro semestre deste ano. Caso o limite estabelecido seja ultrapassado, as exportações acima da cota passarão a sofrer uma tarifa adicional, elevando os custos para comercialização.

Representantes da indústria defendem a ampliação de mercados para reduzir a dependência do comércio com a China. A avaliação é que a diversificação dos destinos das exportações pode fortalecer o setor e diminuir os impactos provocados por restrições comerciais.

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