Houve um tempo em que Michelle Lopes Pereira e o marido sobreviviam fazendo limpeza de terrenos. Depois, passaram a vender salgados em frente a um frigorífico. A renda ainda era apertada, e o benefício recebido pelo programa Mais Social ajudava a garantir o básico enquanto o casal tentava reorganizar a vida.


Pouco a pouco, os salgados ganharam espaço, o trabalho se tornou mais estável e a família começou a depender menos do auxílio. Até que Michelle tomou uma decisão incomum: devolver o cartão.


"Era o que meu coração pedia. Na fase mais difícil das nossas vidas foi o benefício que nos sustentou", conta.


A história não terminou na saída do programa. Hoje, Michelle tem uma lanchonete dentro do mesmo frigorífico em frente ao qual vendia seus produtos, montou uma cozinha industrial e emprega formalmente nove pessoas.


"Não tive dúvidas quando decidi devolver. Outras pessoas tinham que ter a mesma oportunidade que tive", afirma.


A trajetória de Michelle ajuda a dar rosto a uma mudança mais ampla registrada em Mato Grosso do Sul. Entre março de 2024 e março de 2026, 44.604 pessoas deixaram a situação de pobreza ou extrema pobreza no Estado, em um período marcado pela combinação entre expansão do emprego, transferência de renda, incentivo à educação e ações para localizar famílias vulneráveis ainda fora da rede de proteção social.


Mato Grosso do Sul registra atualmente a terceira menor taxa de extrema pobreza do país. Para o governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição pelo Progressistas, o desafio é fazer com que a melhora conquistada pelas famílias seja duradoura e alcançar quem ainda convive com insegurança alimentar, renda insuficiente ou dificuldades para chegar ao emprego e à qualificação.


A estratégia do governo estadual procura, assim, fazer dos programas sociais não apenas uma proteção em momentos críticos, mas também uma ponte para a autonomia.


Extrema pobreza recua 40,7%


Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a parcela da população sul-mato-grossense em extrema pobreza caiu de 2,7%, em 2022, para 2% em 2023 e 1,6% em 2024. Em dois anos, a redução acumulada foi de 40,74%.


Os indicadores revelam avanço, mas não significam o desaparecimento da vulnerabilidade. Milhares de famílias ainda enfrentam renda insuficiente, dificuldade para colocar comida na mesa ou barreiras de acesso aos serviços públicos e às oportunidades de trabalho.


Uma dessas dificuldades é chegar até o próprio benefício.


Para localizar pessoas que preenchem os requisitos dos programas, mas permanecem fora da rede de assistência, equipes do Mais Social percorreram os 79 municípios de Mato Grosso do Sul utilizando cruzamento de dados e georreferenciamento.


A busca ativa tenta enfrentar obstáculos comuns entre famílias mais vulneráveis, como falta de informação, ausência de documentos, distância dos locais de atendimento ou mudanças frequentes de endereço. Assessoria 

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