Participação de vacas e novilhas nos abates caiu para 32,27% em agosto, menor nível desde dezembro de 2025; redução da oferta de fêmeas sinaliza retenção e pode aumentar a pressão sobre a disponibilidade de gado nos próximos meses.

O mercado pecuário brasileiro começa a apresentar sinais cada vez mais consistentes de uma mudança na dinâmica de oferta de bovinos. Em agosto de 2026, o abate de vacas e novilhas em frigoríficos sob Serviço de Inspeção Federal (SIF) somou 703,26 mil cabeças, queda de 10,61% frente a julho e expressivos 30,96% abaixo de agosto de 2025.

Os números foram levantados pela Agrifatto a partir das informações oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A base oficial utilizada para esse acompanhamento é o PGA-SIGSIF, do Mapa, que disponibiliza consultas e conjuntos de dados sobre animais abatidos por espécie, categoria, sexo e Unidade da Federação.

O Portal de Dados Abertos informa que a base do Relatório de Abates foi atualizada em setembro.

O movimento chama atenção principalmente pela sequência. Agosto marcou o oitavo mês consecutivo de retração anual no abate de fêmeas, cenário que começa a desenhar com maior clareza a transição do ciclo pecuário brasileiro. Na avaliação da Agrifatto, o desempenho consolida a virada para uma fase de maior sustentação dos preços.

Fêmeas representam apenas 32,27% dos abates

Além da queda no número absoluto de vacas e novilhas enviadas aos frigoríficos, houve redução importante da participação das fêmeas na composição total dos abates.

Em agosto, elas responderam por 32,27% dos bovinos abatidos, menor percentual desde dezembro de 2025. Em apenas um mês, a participação caiu 3,4 pontos percentuais e, na comparação com agosto do ano passado, a retração chegou a 6,45 pontos percentuais.

Outro indicador reforça a mudança. A média dos últimos cinco anos para o abate de fêmeas em agosto é de aproximadamente 726,34 mil cabeças. O resultado de 2026 ficou 3,18% abaixo desse patamar, sendo o segundo mês consecutivo abaixo da média histórica, segundo a Agrifatto.

Na prática, a redução do descarte de matrizes e novilhas pode representar um movimento de maior retenção de fêmeas dentro das propriedades, característica importante das fases de reconstrução do rebanho. Caso a tendência se mantenha, seus efeitos tendem a aparecer posteriormente na oferta de animais para abate.


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