Mercado encerrou agosto pressionado pelo consumo fraco, mas a dificuldade dos frigoríficos para encontrar boiadas e a expectativa de melhora nas vendas de carne após o pagamento dos salários podem mudar o tom das negociações nas próximas semanas O mercado do boi gordo chega a setembro diante de um equilíbrio cada vez mais delicado entre compradores e vendedores.

De um lado, frigoríficos ainda trabalham com cautela, pressionados pelo ritmo lento de venda da carne bovina no mercado doméstico. Do outro, a disponibilidade de animais terminados não é abundante e pecuaristas demonstram resistência em aceitar novas reduções na arroba.

Esse cenário ficou evidente no fechamento de agosto. Em São Paulo, embora boa parte dos negócios tenha ocorrido entre R$ 340 e R$ 345 por arroba, foram registrados negócios pontuais a R$ 350/@, enquanto as escalas de abate giraram ao redor de uma semana. Segundo o Cepea, frigoríficos de menor e médio porte chegaram a reduzir abates ou recorrer a animais de confinamentos próprios diante da dificuldade de comprar sem elevar as ofertas.

A leitura das principais consultorias indica, portanto, que a pressão baixista perdeu força, mas ainda não há espaço para falar em uma alta generalizada da arroba. A primeira quinzena de setembro deverá ser decisiva para mostrar qual lado terá maior poder de negociação.

Arroba perdeu até R$ 5 em São Paulo na semana

Dados da Scot Consultoria mostram que o boi gordo destinado ao mercado interno paulista terminou a sexta-feira (28) cotado em R$ 342/@, enquanto o chamado boi-China ficou em R$ 344/@, considerando valores brutos e a prazo.

Na comparação com a sexta-feira anterior, o boi comum acumulou queda de 1,4%, equivalente a R$ 5/@, enquanto o animal com padrão para exportação à China recuou 1,7%, ou R$ 6/@. A vaca gorda ficou em R$ 322/@ e a novilha em R$ 332/@.

A Safras & Mercado encontrou cenário semelhante. As médias levantadas pela consultoria ficaram em R$ 342,92/@ em São Paulo, R$ 333,04 em Goiás, R$ 333,35 em Minas Gerais, R$ 337,02 em Mato Grosso do Sul e R$ 326,35 em Mato Grosso.


Pecuarista começa a colocar um piso nas negociações

Um dos pontos mais importantes para acompanhar neste início de setembro será o comportamento da oferta. Durante a segunda metade de agosto, frigoríficos adotaram uma postura defensiva, comprando praticamente o necessário para os abates mais próximos e testando valores inferiores em diferentes regiões.

Entretanto, segundo a Agrifatto, a resistência dos pecuaristas às ofertas abaixo das referências aumentou no decorrer da semana, e os negócios passaram a fluir melhor nas faixas superiores de preço. O Cepea também identificou menor disponibilidade de animais. A combinação entre oferta restrita e venda lenta de carne fez algumas indústrias reduzirem o ritmo de abate ou utilizarem bovinos próprios para evitar uma disputa mais agressiva pela matéria-prima.


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