Preços da arroba do boi gordo perde força no mercado diante de incertezas nas exportações
Pressão de oferta, escalas confortáveis nos frigoríficos e temor envolvendo União Europeia, China e Estados Unidos aumentam cautela no mercado do boi gordo brasileiro.
O mercado do boi gordo voltou a registrar forte pressão nesta semana e reacendeu o sinal de alerta entre pecuaristas de diversas regiões do Brasil. Em São Paulo, principal praça pecuária do país, a arroba acumulou queda de R$ 5 em apenas dois dias, segundo levantamento da Scot Consultoria, refletindo um ambiente marcado por aumento da oferta de animais terminados, escalas de abate mais confortáveis e incertezas envolvendo importantes mercados compradores da carne bovina brasileira.
Além da tradicional pressão sazonal típica deste período do ano, o setor acompanha com atenção os desdobramentos relacionados às exportações brasileiras, especialmente diante das movimentações da União Europeia, China e Estados Unidos.
Analistas avaliam que o cenário internacional adicionou um componente extra de cautela ao mercado físico do boi gordo, justamente em um momento em que a oferta interna começa a ganhar força em várias regiões do país.
De acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, o movimento de baixa passou a atingir estados que até então demonstravam maior resistência às quedas, como Mato Grosso. Segundo ele, em regiões onde a pressão baixista já havia sido intensa durante abril, o mercado agora apresenta uma acomodação, embora Minas Gerais ainda registre negócios abaixo das referências médias.
Em São Paulo, os dados da Scot Consultoria apontam que o boi gordo comum fechou cotado a R$ 350/@, enquanto o chamado “boi-China” caiu para R$ 355/@ na quarta-feira (13). Apenas no dia anterior, os preços já haviam recuado R$ 2/@, fazendo com que a desvalorização acumulada chegasse a R$ 5/@ em 48 horas.
Exportações entram no radar do mercado do boi gordo
Além da oferta interna, o mercado acompanha atentamente as incertezas envolvendo o comércio internacional da carne bovina brasileira. A sinalização da União Europeia sobre uma possível suspensão das compras de proteína animal brasileira a partir de setembro de 2026 aumentou a tensão no setor e passou a influenciar diretamente o comportamento dos frigoríficos e compradores.
Ao mesmo tempo, o mercado chinês vive um momento de desaceleração temporária nas negociações às vésperas da SIAL Shanghái 2026, considerada uma das maiores feiras de alimentos e bebidas da Ásia. Segundo relatório da Agrifatto, importadores chineses reduziram o ritmo das compras para aguardar melhores condições comerciais durante o evento presencial, criando um ambiente de “paralisia comercial” momentânea.
Como consequência, o valor do dianteiro bovino exportado pelo Brasil para a China sofreu recuo de 3,5% nesta semana, ficando entre US$ 6.700 e US$ 6.800 por tonelada.















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