Preço do bezerro atinge maior valor, no MS R$ 3.950
Indicadores do Cepea mostram que a relação de troca caiu em maio de 2026 para o menor nível desde outubro de 2021, pressionada pela queda da arroba e pela valorização do bezerro, que segue em patamares historicamente altos.
A reposição voltou ao centro das decisões da pecuária brasileira. Em maio de 2026, o pecuarista que vende um boi gordo passou a comprar menos bezerros do que comprava nos últimos anos, um sinal claro de perda de poder de compra justamente em um momento em que a retenção de fêmeas, a oferta de animais jovens e a disputa por reposição começam a pesar mais no planejamento das fazendas.
Segundo levantamento elaborado pela Farmnews com dados do Cepea, a relação de troca caiu para 2,04 bezerros por boi gordo de 20 arrobas na parcial de maio, até o dia 20. Esse é o menor patamar desde outubro de 2021.
Reposição fica mais cara e muda a conta da fazenda
A relação de troca é um dos indicadores mais importantes da pecuária de corte porque mostra, de forma simples, quanto o produtor consegue repor de animais jovens com a venda do boi pronto para abate.
Quando essa relação cai, o recado é direto: a margem de quem compra bezerro para recria e engorda fica mais apertada. A decisão de repor passa a exigir mais caixa, mais critério e maior atenção ao custo de produção. Outro indicador reforça essa pressão.
Na primeira metade de maio de 2026, foram necessárias 9,78 arrobas de boi gordo para comprar um bezerro, o segundo maior valor para um mês de maio desde 2010, atrás apenas de maio de 2021, quando foram necessárias 10,04 arrobas.
Por que o bezerro segue valorizado?
A valorização do bezerro está ligada ao próprio ciclo pecuário. Em períodos de expectativa de alta para o boi gordo, há maior interesse por animais jovens, principalmente quando o mercado começa a enxergar menor oferta futura de gado pronto.
Além disso, a oferta de bezerros tende a ser influenciada por decisões tomadas meses ou anos antes, como retenção ou descarte de matrizes, qualidade da estação de monta, clima, custo de suplementação e capacidade de suporte das pastagens. Por isso, mesmo quando a arroba do boi gordo passa por ajustes no mercado físico, o bezerro pode continuar firme. Foi exatamente esse descolamento que pressionou a relação de troca em maio.
Onde o bezerro está mais valorizado no Brasil
- Mato Grosso do Sul (MS) — R$ 3.985,60/cabeça
- Mato Grosso (MT) — R$ 3.780,00/cabeça
- Paraná (PR) — R$ 3.550,00/cabeça
- São Paulo (SP) — R$ 3.400,00/cabeça
- Rondônia (RO) — R$ 3.436,13/cabeça
Onde o bezerro está mais barato
- Acre (AC) — R$ 2.650,00/cabeça
- Rio de Janeiro (RJ) — R$ 3.360,00/cabeça
- Bahia (BA) — R$ 3.360,00/cabeça
- Minas Gerais (MG) — R$ 3.330,00/cabeça
- Maranhão (MA) — R$ 3.512,00/cabeça















0 Comentários