Com negócios pontuais já registrados a R$ 380 nesta semana, oferta restrita e escalas curtas sustentam a arroba; consultorias apontam novas altas na abertura de outubro. O mercado do boi gordo chega a esta sexta-feira (2) com os frigoríficos pressionados a melhorar as ofertas para garantir animais e preencher as escalas de abate.

Após negócios pontuais alcançarem R$ 380 por arroba em São Paulo nesta semana, a abertura de outubro trouxe novos reajustes nas referências de compra, reforçando a firmeza do mercado físico.

O movimento ganha sustentação na disponibilidade limitada de animais terminados e em programações de abate concentradas entre cinco e seis dias úteis, segundo a Safras & Mercado. Scot Consultoria e Agrifatto também identificam dificuldades de abastecimento, especialmente entre indústrias de pequeno e médio porte. Os maiores valores pontuais ainda não representam a referência geral da praça, mas mostram a disposição dos compradores mais pressionados para assegurar os lotes disponíveis.

Frigoríficos elevam propostas para garantir abastecimento

Segundo a Scot Consultoria, os preços do boi destinado ao mercado interno e do chamado boi-China avançaram R$ 2 por arroba em São Paulo na quinta-feira. As referências passaram a R$ 362 e R$ 367 por arroba, respectivamente, em valores brutos e com pagamento a prazo.

A consultoria avalia que os pecuaristas seguem administrando a oferta em um ambiente de pouca disponibilidade de gado. Do lado comprador, a necessidade de manter as escalas exige maior flexibilidade nas propostas, mesmo com as indústrias buscando oportunidades para limitar o custo da matéria-prima.

A Agrifatto também identifica esse movimento. De acordo com sua equipe, a dificuldade de alongar as programações de abate tem levado parte dos frigoríficos brasileiros a oferecer valores maiores pelos animais terminados.

Em São Paulo, essas unidades já desembolsaram R$ 370 por arroba, enquanto algumas operações chegaram aos R$ 375. A ressalva é importante: negócios isolados mostram até onde compradores mais pressionados aceitaram pagar, mas não representam, automaticamente, o preço predominante de toda a praça.

Escalas curtas mantêm a sustentação da arroba

O analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, aponta que as escalas de abate permanecem concentradas entre cinco e seis dias úteis, condição que sustenta a perspectiva de firmeza no curto prazo. A pressão, entretanto, não é igual para todas as empresas.

Frigoríficos de pequeno e médio porte enfrentam maior dificuldade para completar suas programações, enquanto grandes grupos ainda contam com animais de contratos de parceria e confinamentos próprios. Essa diferença ajuda a explicar a distância entre as referências das consultorias e os maiores valores encontrados em operações específicas. Uma indústria com necessidade imediata de gado pode pagar mais que outra com abastecimento organizado para os próximos dias.





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