Escalas de abate curta e oferta restrita deixam preço da arroba firme
Com escalas de abate ainda curtas, oferta restrita sustenta preços no mercado físico, mas contratos futuros do boi gordo registram queda generalizada diante da preocupação crescente com exportações e possível esgotamento da cota chinesa.
O mercado do boi gordo começou a semana vivendo um cenário de forte contraste entre o físico e o futuro. Enquanto a oferta restrita de animais terminados continua sustentando as cotações em importantes praças pecuárias brasileiras, o mercado financeiro já começa a precificar um ambiente de maior cautela, com quedas generalizadas nos contratos futuros negociados na B3.
A combinação entre retenção de animais por parte dos pecuaristas, escalas de abate ainda relativamente curtas e incertezas envolvendo o mercado internacional, especialmente a China, tem elevado o nível de atenção dentro da cadeia pecuária brasileira. Consultorias que acompanham o setor alertam que o mercado atravessa um momento decisivo, onde fatores externos podem determinar o comportamento da arroba nas próximas semanas.
China volta a preocupar e frigoríficos começam a reduzir ritmo de compras
O principal ponto de atenção do mercado neste momento gira em torno do avanço acelerado da utilização da cota chinesa de importação de carne bovina, que pode atingir seu limite nas próximas semanas.
Segundo análise da Safras & Mercado, frigoríficos exportadores já começam a reorganizar sua produção diante do risco de esgotamento precoce dessa cota, movimento que pode reduzir o ritmo de compras em diversas regiões produtoras.
De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, a sinalização de que cerca de 80% da cota brasileira já foi utilizada deve funcionar como gatilho para mudanças mais profundas dentro da indústria frigorífica.
Esse cenário explica parte da postura mais conservadora observada nos frigoríficos no início desta semana, com tentativas de compra em patamares mais baixos e negociações mais travadas em várias praças do país.
Mercado físico do boi gordo continua firme e oferta curta impede queda mais forte
Apesar do aumento da cautela na indústria, o mercado físico ainda encontra sustentação importante na baixa disponibilidade de animais prontos para abate. Segundo levantamento da Agrifatto, as escalas de abate permanecem atendendo em média apenas sete dias úteis em âmbito nacional, cenário que limita pressões baixistas mais agressivas.
A consultoria observa que muitos pecuaristas continuam segurando lotes na expectativa de preços mais altos, enquanto frigoríficos reduzem a intensidade das compras.
Em São Paulo, referência nacional da pecuária brasileira, os preços seguem praticamente estáveis:
- Boi gordo mercado interno: R$ 350/@
- Boi-China: R$ 355 a R$ 360/@
- Vaca gorda: R$ 322/@
- Novilha terminada: R$ 335/@
Nas demais regiões acompanhadas, a média nacional monitorada pela Agrifatto permanece próxima de R$ 342,40 por arroba.















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