Programa Wagyu impulsiona alta de 30% na carne certificada
Os dados mais recentes do Programa Carne Wagyu Certificada mostram um crescimento expressivo no número de animais abatidos em 2025. Na comparação com o ano anterior, o volume total certificado, somando Wagyu puro e Wagyu cruzado, registrou alta de 30%, segundo números auditados pela Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Wagyu.
O programa atua como instrumento de padronização, rastreabilidade e certificação da carne, com dois selos distintos, um destinado ao Wagyu puro e outro ao Wagyu cruzado. Embora ambos tenham apresentado avanço, o principal motor do crescimento foi o cruzamento industrial, que passou a ganhar escala após a estruturação de um modelo produtivo mais organizado.
Até poucos anos atrás, o Wagyu cruzado era ofertado de forma dispersa no mercado, sem critérios genéticos definidos, manejo padronizado ou previsibilidade de volume. A indústria de carnes Guidara, tradicionalmente dedicada à criação de Wagyu puro, identificou esse gargalo e estruturou um programa específico para organizar a produção do cruzamento industrial.
De acordo com a médica-veterinária Tatiana Caruso, responsável técnica pelo projeto, a iniciativa surgiu diante da falta de padrão. “A gente sempre focou na criação do puro, que é mais desafiadora, e acreditava que o mercado entregaria naturalmente o cruzado. Quando começamos a operar, vimos que isso não acontecia. O cruzado era completamente despadronizado, o que inviabilizava a construção de uma linha consistente de produto”, explica.
O programa passou então a orientar tecnicamente produtores parceiros, definindo critérios como escolha de touros, base de vacas, manejo e exigências produtivas. Os animais que atendem aos parâmetros estabelecidos são certificados pelo Programa Carne Wagyu Certificada, responsável por auditar e chancelar o produto final.
Os efeitos dessa organização começaram a aparecer de forma mais clara em 2025, primeiro ano com abates de animais cruzados efetivamente oriundos do programa e já enquadrados nos padrões de certificação. Esse movimento explica o salto no volume de Wagyu cruzado certificado no período.
Além da expansão em escala, o modelo prevê remuneração diferenciada aos produtores. Animais cruzados recriados, com dente de leite, peso mínimo de 300 quilos e castração até a desmama, podem receber bonificação de até 25% sobre o valor da arroba. Já os animais cruzados terminados, com até seis dentes, peso mínimo de 600 quilos vivos e castrados, recebem ágio conforme o nível de marmoreio da carcaça, que pode chegar a até 100% sobre a arroba para classificações acima do nível 7, em uma escala que vai até 12.
Para Daniel Streinburch, CEO da Guidara, os números reforçam a importância de separar e integrar os papéis dentro da cadeia produtiva. “O Programa Carne Wagyu Certificada é fundamental porque ele audita, mede e dá credibilidade ao produto final. Já o programa de cruzamento industrial nasceu para organizar a produção do Wagyu cruzado, algo que o mercado sozinho não estava conseguindo fazer. Hoje detemos 85% do market share desses animais cruzados e os resultados mostram ganhos em escala, padrão e previsibilidade”, afirma.
Com o avanço do modelo, a iniciativa deu origem a um novo desdobramento, o Wagyu On Dairy, que aposta no cruzamento de vacas leiteiras com touros de corte. “Esse sistema permite agregar valor aos bezerros, que passam a ter melhor desempenho, ganho de peso e rendimento de carcaça, além de integrar os setores de leite e carne, aumentando a rentabilidade do produtor”, conclui Streinburch.















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