O que muda para os pecuaristas brasileiros com cota imposta pela China
A China anunciou a adoção de medidas de salvaguarda para as importações globais de carne bovina, com a criação de cotas por país e aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que excederem os limites estabelecidos.
A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom) e terá vigência de três anos, até o fim de 2028, com possibilidade de revisão durante o período. O Brasil, principal fornecedor da proteína ao mercado chinês, recebeu a maior cota individual.
Para 2026, o limite será de 1,106 milhão de toneladas sem tarifa adicional, com aumento gradual para 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,154 milhão de toneladas em 2028. Acima desse volume, a carne brasileira, que já paga tarifa de 12%, será taxada com acréscimo de 55%. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina à China somaram cerca de 1,45 milhão de toneladas, volume superior ao teto definido para os próximos anos, o que acende alerta no setor exportador.
Outros fornecedores também terão limites
As salvaguardas atingem todos os grandes exportadores. A Argentina terá cota de 511 mil toneladas em 2026, seguida por Uruguai (324 mil toneladas), Nova Zelândia (206 mil toneladas), Austrália (205 mil toneladas) e Estados Unidos (164 mil toneladas). Volumes não utilizados não poderão ser transferidos para anos seguintes. O governo chinês justificou a medida alegando que o aumento das importações causou danos à indústria pecuária local, pressionando preços pagos aos produtores domésticos. O argumento já havia sido apresentado pela China em discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Impacto deve ser gradual, avaliam analistas
Na avaliação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a medida não fecha o mercado chinês, mas impõe um teto ao crescimento das exportações e exige ajustes na estratégia comercial das empresas brasileiras. Análises da Safras & Mercado indicam que o principal efeito será a necessidade de redirecionar parte da produção para outros mercados, o que pode pressionar margens da indústria frigorífica no médio prazo.
Já a Agrifatto avalia que o impacto no mercado físico do boi gordo deve ser limitado no curto prazo. Segundo a consultoria, as condições atuais devem se manter até que a cota brasileira seja preenchida, o que tende a ocorrer apenas no segundo semestre de 2026, considerando o ritmo atual dos embarques.
Mercado futuro tende a reagir antes
Apesar da expectativa de estabilidade inicial no mercado físico, analistas apontam maior sensibilidade no mercado futuro. A Agrifatto projeta aumento da volatilidade e da pressão especulativa na B3 a partir de janeiro, refletindo a incerteza gerada pelas novas regras chinesas.
Para 2026, o cenário traçado pelas consultorias indica um primeiro semestre com mercado físico relativamente resiliente, sustentado por oferta controlada, e um segundo semestre marcado por maior cautela dos compradores e retomada gradual da demanda chinesa dentro dos limites impostos pelas cota















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