Nova regra pode barrar credito para produtores que não realizarem o CAR
Atualização do Manual de Crédito Rural (MCR) suporta fiscalização ambiental e amplia monitoramento por satélite.
Os produtores diante de uma nova realidade — não basta produzir, é preciso comprovar regularidade para acessar financiamento e manter competitividade. Produtores rurais podem ter crédito negado nos próximos meses caso não comprovem regularidade ambiental — e milhões de propriedades já estão no radar das instituições financeiras.
O agronegócio brasileiro está prestes a atravessar uma das mudanças mais relevantes da última década no acesso ao crédito rural. Se antes da produtividade, o histórico financeiro e as garantias eram os principais fatores desenvolvidos pelos bancos, agora um novo vetor ganhou peso definitivo nas decisões: a comprovação ambiental e territorial das propriedades.
A atualização da Seção 2.9 do Manual de Crédito Rural (MCR) — que trata dos impedimentos sociais, ambientais e climáticos — marca uma virada estrutural no sistema financeiro ligado ao campo. Na prática, o produtor que não conseguir comprovar a regularidade do imóvel pode enfrentar desde dificuldades para contratar financiamento até a negativa direta de crédito.
O movimento não acontece por acaso. O setor financeiro vem aumentando a pressão por transparência, rastreabilidade e mitigação de risco, em linha com as critérios globais e com a necessidade de proteger as instituições próprias contra passivos ambientais.
E os números ajudam a dimensionar o tamanho do desafio: mais de 4,6 milhões de imóveis rurais no Brasil possuem algum tipo de pendência ou irregularidade ambiental — cerca de 58% do total cadastrado no país. O dado acendeu um alerta imediato para produtores, empresas e toda a cadeia do agro.















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