A Operação “Tropilha” expõe rede de falsificação que movimentou esquema que “esquentou” 14 mil bois e cavalos sem origem e ameaça a substituição do setor pecuário gaúcho, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou,  a operação “Tropilha”, que revelou um dos maiores esquemas de fraude envolvendo uma pecuária no estado.

A investigação aponta que, ao longo de 17 anos, cerca de 13 mil cavalos e 800 bovinos sem procedência foram “esquentados” por meio da falsificação de documentos oficiais, como Guias de Trânsito Animal (GTAs) e exames sanitários obrigatórios. Veja como funcionava a rede de falsificação que movia a venda de 14 mil bois e cavalos sem origem e ameaçava uma alternativa do setor pecuário gaúcho.

O golpe, que já é chamado nos bastidores de “esquema dos cavalos de papel”, teria dado origem falsa a animais adquiridos, contrabandeados ou simplesmente inexistentes, mascarando sua circulação até chegar aos frigoríficos. O caso levanta não apenas questões criminais, mas também questões sanitárias e de contrapartida para a cadeia produtiva da carne.

Como funcionou a fraude no esquema que “esquentou” 14 mil bois e cavalos sem origem

Segundo a delegada Graciela Chagas, responsável pelo inquérito em Arroio do Tigre, o esquema era sofisticado e se aproveitava de brechas no sistema da Secretaria da Agricultura. Entre as práticas indicadas estão:

  • Animais mortos “ressuscitados” nos registros para movimentações ocasionais;
  • Éguas que davam cria e, em minutos, os potros viravam adultos aptos para o abate;
  • Percursos de 500 milhas realizados em apenas sete minutos, segundo os documentos;
  • Multiplicação de rebanhos inexistentes em propriedades para gerar saldo de animais fictícios;
  • Exames de doenças adulteradas, usados ​​para garantir a falsa sanidade dos lotes.

O servidor da Inspetoria Veterinária de Arroio do Tigre, Gilson Dutra de Oliveira, é apontado como peça-chave. Em 2023, sua senha no sistema foi bloqueada após denúncias de irregularidades, mas ele teria continuado a visitar com credenciais emprestadas de colegas até serem afastadas.


Produtores usados ​​como “laranjas”

Um dos aspectos mais graves do esquema foi o uso indevido de registros de produtores rurais sem que eles divulgassem. A Polícia Civil calcula que cerca de 150 criadores foram usados ​​como laranjas. O agricultor Everaldo Vieira, de Viamão, descobriu que seu nome estava em um guia de gado emitido em 2023, embora nunca tivesse feito uma transação.

Já o construtor Avelino Pruch de Jesus, que deixou de criar cavalos há mais de dez anos, teve seu nome usado para especificar o transporte de oito equinos para cidades que sequer conhece. "No papel consta que eu transportei oito cavalos para Arroio do Tigre. Eu nunca estive lá", relatou.


Frigoríficos e compradores envolvidos

A investigação concluiu que os documentos falsificados foram usados ​​para repassar animais principalmente ao refrigerador Foresta, em São Gabriel. Segundo a polícia, o abatedouro não tinha conhecimento de fraude, mas acabou comprando animais com documentação adulterada.

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