Atenção: MS esta entre os primeiros com maior incidência de ferrugem asiática
O avanço da ferrugem asiática da soja colocou Mato Grosso do Sul entre os principais focos da doença no Brasil nesta safra 2025/2026, acendendo um sinal de alerta para produtores, técnicos e autoridades fitossanitárias. Quase 30% de todas as notificações registradas no país estão concentradas no Estado, que atualmente ocupa a segunda posição no ranking nacional.
Dados do Consórcio Antiferrugem indicam que Mato Grosso do Sul soma 46 registros da doença no período monitorado, entre junho de 2025 e janeiro de 2026. O crescimento chama atenção pela rapidez: houve apenas um caso em novembro, 21 registros em dezembro e outros 24 somente em janeiro. O número já supera todo o volume registrado na safra anterior.
Conforme o monitoramento, mantido pela Embrapa e instituições parceiras, os focos estão concentrados em áreas comerciais em estágios avançados da cultura, o que eleva o risco de impactos diretos na produtividade e na rentabilidade das lavouras.
A ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e se manifesta inicialmente por pequenas lesões marrom-avermelhadas na face inferior das folhas. Com a evolução, surgem pontos escuros por toda a superfície foliar, reduzindo a área fotossintética e provocando necrose e desfolha precoce. Sem controle, as perdas podem chegar a até 90% da produção.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o cenário climático tem sido determinante para o avanço da doença. “Calor excessivo aliado à alta umidade cria condições ideais para o aumento da população do fungo e para a disseminação dos esporos, que ocorre principalmente pelo vento, favorecendo o surgimento de novos focos”, explica.
O controle da ferrugem exige manejo integrado e ações contínuas, como o cumprimento rigoroso do vazio sanitário, rotação de culturas, semeadura dentro da janela recomendada pelo Ministério da Agricultura, uso de cultivares mais tolerantes, monitoramento frequente das lavouras e aplicação criteriosa de fungicidas quando indicada.
Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul havia registrado 12 ocorrências e ocupava a terceira posição nacional, atrás do Paraná e do Rio Grande do Sul. Já na safra atual, o número saltou para 46 casos, cerca de 3,8 vezes mais. No cenário nacional, o Brasil soma 156 notificações, com maior concentração no Paraná, seguido por Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais.
A primeira ocorrência da ferrugem asiática em Mato Grosso do Sul foi registrada na safra 2023/2024, em uma lavoura de Laguna Carapã, na região sudoeste do Estado.
Especialistas reforçam que a prevenção é decisiva para conter o avanço da doença. Uma das principais estratégias é o vazio sanitário da soja, adotado em Mato Grosso do Sul entre junho e setembro de 2025, período em que é proibido plantar ou manter plantas vivas de soja no campo. A medida reduz a sobrevivência do fungo ao eliminar plantas hospedeiras, como a soja voluntária.
Durante o vazio sanitário, os produtores devem monitorar as áreas, eliminar plantas voluntárias por controle mecânico ou químico e respeitar o calendário oficial de plantio. O descumprimento das regras pode resultar em multas e outras penalidades previstas em lei.















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