Campo Grande, 20 de Julho de 2018



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x Rural News Ms 11/07/2018 - 09:23:02

Exportação de animais vivos: a quem interessa evitar isso?


porto santos

Francisco Manzi discorre sobre as vantagens dos embarques de bovinos vivos para a cadeia

 

Desde o fim do ano passado, a exportação de animais vivos, especificamente de bovinos, tem marcado presença em fóruns de discussões, na imprensa e até no cenário político nacional. O que parecia ser um avanço por colocarmos mais esse produto no nosso portfólio de exportações brasileiras, o que antes de mais nada é um reconhecimento por parte dos importadores da qualidade e sanidade do nosso rebanho, parece encontrar posições contrárias mesmo aqui dentro do país.

 

Para simplificar o entendimento, fiz alguns apontamentos sobre o assunto. Por exemplo, quais vantagens de exportarmos animais vivos?

 

Termos um produto a mais na prateleira. Quando vai ao supermercado, você pode comprar queijo ralado em pequenas porções, grandes pacotes ou em pedaço para ralar em casa. Da mesma forma, temos compradores para carne in natura, congelada, com ou sem osso, enlatada, boi gordo já pronto para o abate ou bezerros para serem recriados e engordados na casa do consumidor. Temos produtos para todos os mercados.

 

A capacidade de produção pecuária no Brasil, o país mais sustentável do mundo, é muito grande sem a necessidade de avançarmos em desmatamento ilegal. Mato Grosso, por exemplo, tem uma média de produção de 5 arrobas por hectare enquanto temos produtores produzindo até 80, ou seja, tecnologia disponível existe, só precisamos de mais demanda.

 

A imensa maioria dos produtores de bezerros, aquele segmento de criadores que tem como atividade a cria, é de pequenos produtores que agora têm a opção de poderem exportar seus produtos. Fortalecer a exportação de bovinos vivos é dar mais opções de negócios e, consequentemente, melhorar a rentabilidade para esses pequenos produtores.

 

O transporte de animais até os portos e o número de pessoas envolvidas nesse processo gera milhares de empregos diretos e indiretos, sobretudo na região portuária, uma vez que o manejo de desembarque dos caminhões e embarque nos navios demanda bastante mão de obra, ao contrário de carregamento por contêineres utilizados para outros produtos.

 

Os manuais de boas práticas e bem-estar animal, validados pela Embrapa e pelo Ministério da Agricultura, não são vistos pelo produtor como uma exigência, mas sim como possibilidade de maior ganho, uma vez que quanto mais alimentação e mais conforto têm os animais, melhor o ganho em peso de um animal que é vendido por kg. Os confinamentos no mundo inteiro estão cada vez mais se adequando e trabalhos têm mostrado que a sombra tem sido uma grande aliada no desempenho e bem-estar, deve ser por isso que os animais ganham tanto peso durante o cruzeiro que fazem de navio até o destino.

 

Resumindo, ganham todos os elos da cadeia, do pequeno produtor, ao caminhoneiro até fabricante de rações, o Brasil gera divisas e não influi no nosso mercado com grande capacidade de produção que temos. Nos resta a pergunta: a quem interessa não exportar animais vivos?

 

*As opiniões expressas nos artigos e materias não necessariamente refletem a posição do Rural News Ms. 

 

 

**Francisco ManziMédico veterinário e diretor-técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).



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